Ao abrir a 48ª Campanha da Fraternidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil alertou sobre a gravidade das consequências do aquecimento do planeta. O texto-base da campanha expõe conclusões da ciência sobre mudanças climáticas, mostra a participação humana no problema e critica o modelo energético que privilegia fontes fósseis, o desmatamento e o agronegócio
A Igreja quer mobilizar fiéis sobre os impactos das mudanças climáticas e estimular ações práticas para preservar o meio ambiente. Com o tema Fraternidade e a Vida no Planeta, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou ontem (9) a 48ª Campanha da Fraternidade, que pretende alertar os católicos para a gravidade das consequências do aquecimento do planeta.
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quarta-feira, 23 de março de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Ambientalistas e cientistas estão preocupados com queda do interesse público pelas mudanças climáticas
Grupos ambientalistas tentam tornar a mudança climática atraente – A quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera continua crescendo, mas o interesse público pela mudança climática está diminuindo. Os ambientalistas estão buscando novas formas de tornar o assunto mais atraente. Mas as táticas de choque podem ser um tiro pela culatra.
A mudança climática costumava sair nas manchetes. Mas hoje em dia o assunto parece ter sumido do radar. Reportagem de Axel Bojanowski, no Der Spiegel.
Líderes mundiais negociaram recentemente um novo acordo do clima na Conferência da ONU para a Mudança Climática em Cancun, México, mas o interesse do público pelo assunto foi limitado. Foi uma diferença marcante em relação à conferência climática de Copenhague, em dezembro de 2009, que foi considerada de importância histórica às vésperas do encontro, para depois fracassar de forma espetacular. O roubo de e-mails da Universidade de East Anglia prejudicou muito a imagem da pesquisa climática pouco antes da cúpula.
A mudança climática costumava sair nas manchetes. Mas hoje em dia o assunto parece ter sumido do radar. Reportagem de Axel Bojanowski, no Der Spiegel.
Líderes mundiais negociaram recentemente um novo acordo do clima na Conferência da ONU para a Mudança Climática em Cancun, México, mas o interesse do público pelo assunto foi limitado. Foi uma diferença marcante em relação à conferência climática de Copenhague, em dezembro de 2009, que foi considerada de importância histórica às vésperas do encontro, para depois fracassar de forma espetacular. O roubo de e-mails da Universidade de East Anglia prejudicou muito a imagem da pesquisa climática pouco antes da cúpula.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
A mídia como ator emergente das Relações Internacionais: seu protagonismo no uso do soft power frente aos desafios das mudanças climáticas.
Em 14.09.2010 defendi minha tese de doutorado junto a Universidade Federal de Santa Catarina tendo como foco a análise do poder da mídia frente as discussões climáticas globais.
O trabalho transita entre a área das Relações Internacionais, Direito Internacional Ambiental e Comunicação Política Internacional e pode ser acessada em formato PDF- CLICAR AQUI -
Aqueles que tiverem interesse em utilizá-la em suas publicações peço que façam a devida referência (modelo abaixo) e caso tenham interesse em trocar ideias sobre o tema ou entrar em contato peço que escrevam para o email advrso@gmail.com
Referência da tese conforme regras da ABNT:
A seguir transcrevo o resumo e o sumário para que todos possam compreender um pouco mais o conteúdo presente na tese.
O trabalho transita entre a área das Relações Internacionais, Direito Internacional Ambiental e Comunicação Política Internacional e pode ser acessada em formato PDF
Aqueles que tiverem interesse em utilizá-la em suas publicações peço que façam a devida referência (modelo abaixo) e caso tenham interesse em trocar ideias sobre o tema ou entrar em contato peço que escrevam para o email advrso@gmail.com
Referência da tese conforme regras da ABNT:
OLIVEIRA, Rafael Santos de. A mídia como ator emergente das Relações Internacionais: seu protagonismo no uso do soft power frente aos desafios das mudanças climáticas.Florianópolis: UFSC, 2010. 418 p. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Direito, Centro de Ciências Jurídicas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.
A seguir transcrevo o resumo e o sumário para que todos possam compreender um pouco mais o conteúdo presente na tese.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Criar fundo de US$ 30 bi é esperança da COP-16
Além dos acordos entre vários países, outra oportunidade da COP-16 está em expandir negócios bilaterais
Mesmo sem expectativas de alcançar seus objetivos globais, a 16ª edição da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-16), que será realizada em Cancún, no México, entre 29 de novembro e 10 de dezembro, tem condições de fechar acordos pontuais. Entre eles está a estruturação de um fundo de US$ 30 bilhões para ações contra a emissão de gases causadores do efeito estufa. Outro possível avanço está na exploração e aperfeiçoamento dos mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDDs), que pode gerar créditos para o Brasil.Filme contesta tese de emergência climática de Al Gore
A humanidade pode se adaptar às mudanças do clima sem necessidade de ceder ao pânico, sustenta "Cool it", um documentário sobre o polêmico climatologista dinamarquês Bjoern Lomborg, concebido como uma resposta a "Uma Verdade Inconveniente", sobre a crise ambiental provocada pelas emissões de gases-estufa, apresentado pelo ex-vice-presidente americano Al Gore.
O filme, do americano Ondi Timoner, propõe estratégias para contrabalançar o aquecimento global: pintar as cidades de branco para refletir a luz do sol e reduzir a temperatura, captar a energia das ondas, obter combustíveis a base de algas e inclusive esfriar artificialmente o planeta produzindo nuvens na atmosfera.
"O debate sobre o clima se viu contaminado pelo fato de que só se aceitam duas posições: ou se é negacionista do aquecimento global ou se é pró-Al Gore e o fim do mundo está próximo. O problema é que nenhuma destas duas posições é justa", afirma Lomborg.
O filme, do americano Ondi Timoner, propõe estratégias para contrabalançar o aquecimento global: pintar as cidades de branco para refletir a luz do sol e reduzir a temperatura, captar a energia das ondas, obter combustíveis a base de algas e inclusive esfriar artificialmente o planeta produzindo nuvens na atmosfera.
"O debate sobre o clima se viu contaminado pelo fato de que só se aceitam duas posições: ou se é negacionista do aquecimento global ou se é pró-Al Gore e o fim do mundo está próximo. O problema é que nenhuma destas duas posições é justa", afirma Lomborg.
sábado, 12 de junho de 2010
ONU: faltam décadas para solucionar problema do aquecimento global
BONN — Solucionar a questão do aquecimento global é um processo "gradual", que levará décadas, e a conferência do México, prevista para o fim do ano, representará apenas colocar uma "pedra" no edifício, avaliou nesta quarta-feira, em Bonn (Alemanha), a nova encarregada das Nações Unidas para o clima, a costa-riquenha Christiana Figueres.
"Não penso que veja na minha vida um acordo final sobre o clima", disse Figueres durante encontro com os jornalistas à margem das negociações climáticas celebradas até 11 de junho em Bonn.
"Não penso que veja na minha vida um acordo final sobre o clima", disse Figueres durante encontro com os jornalistas à margem das negociações climáticas celebradas até 11 de junho em Bonn.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Cúpula do Clima na Bolívia defende tribunal climático e referendo ambiental
De Philippe Bernes-Lasserre (AFP) –
COCHABAMBA, Bolívia — A criação de um tribunal climático e a realização de um referendo mundial sobre meio ambiente foram propostas na Cúpula do Clima alternativa que se celebra em Cochabamba, cidade da região central da Bolívia, da qual participam 20 mil ativistas dos cinco continentes, segundo os organizadores.
Coincidindo esta quinta-feira com o "Dia da Terra", a Conferência dos Povos sobre as Mudanças Climáticas expressou o desejo de justiça ambiental para as populações, frequentemente pobres, cujos litorais, água e agricultura sofrem os efeitos do aquecimento global.
terça-feira, 20 de abril de 2010
“No encalço do carbono”
Artigo publicado originalmente no jornal Valor Econômico.
Uma das maiores aberrações do Protocolo de Kyoto foi a legitimação de uma espécie de totalitarismo produtivista. Desde
Ao menos dois problemas muito sérios foram criados por essa regra que provavelmente não será revista devido ao bem conhecido fenômeno da inércia institucional. Problemas de natureza eminentemente ética, como são, aliás, 90% das questões econômicas.
O primeiro só será aqui mencionado com rápido exemplo: a responsabilidade pelas crescentes emissões de metano da pecuária deve ser atribuída aos boiadeiros ou à pletora carnívora da multidão de consumidores abastados que, felizmente, não para de aumentar?
segunda-feira, 29 de março de 2010
NÃO É A HORA DE PÔR A CIÊNCIA CLIMÁTICA NA GELADEIRA
A ciência das mudanças climáticas tem estado na defensiva nas últimas semanas, devido a um erro que exagerou drasticamente os números que apontavam para o desaparecimento das geleiras do Himalaia. Alguns na mídia e outros céticos sobre as mudanças climáticas estão tendo um momento de brilho, esmiuçando cada vírgula e suspiro nas avaliações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de 2007.
Vozes estridentes estão até mesmo considerando o aquecimento global um embuste como o “bug do milênio”. Como resultado, a opinião pública tem ficado cada vez mais confusa à medida que o questionamento incessante ao IPCC e a seus integrantes toma uma proporção de caça às bruxas.
É realmente a hora de um teste de realidade. É mais do que certo apontar erros, fazer correções e conferir novamente a credibilidade e precisão de pesquisas. Também é certo que o IPCC reconheceu a necessidade de mais controle de qualidade para minimizar quaisquer riscos em novos relatórios. Mas vamos deixar de lado o mito de que a ciência das mudanças climáticas tem furos escondidos e está afundando rapidamente em um mar de mentiras.
sábado, 20 de março de 2010
A utilização das novas mídias pode contribuir em favor do meio ambiente?
Há algum tempo venho pesquisando o papel da mídia nas Relações Internacionais e a forma como a mídia tradicional e as novas mídias (em especial, a internet) podem contribuir para uma ação em favor das causas ambientais.
A análise dos teóricos das Relações Internacionais é bastante omissa quanto a essa participação da mídia no cenário internacional. Sequer admitem que a mídia seja um ator, novo ator ou sequer um ator emergente das Relações Internacionais.
Para o Direito Ambiental Internacional também não existem muitos estudos sobre como a mídia pode ser usada. O que existe são discussões sobre a forma como a mídia é usada por outros atores, em especial, as ONGS. Quanto a isso, realmente é interessante a análise pois, efetivamente, as ONGs sabem muito bem se utilizar nas novas tecnologias para se articularem politicamente em favor do meio ambiente.
A dúvida, todavia, é se realmente espaços virtuais como blogs e sites independentes podem apresentar argumentos críticos e novas informações que venham a propiciar algo de concreto em favor do meio ambiente.
Até que ponto a proliferação de informação e o amplo espaço existente na internet favorece um debate sério e verdadeiro?
No que tange ao aquecimento global, foco de um de meus estudos, tenho verificado a existência de diversos blogs e sites que trazem informações extremamente relevantes e confirma a tese de que o aquecimento global é algo a ser enfrentado de forma urgente e séria em nível global. Todavia, na mesma rede, é possível encontrar informações que rebatem os estudos até então apresentados e questionam a sua veracidade.
Bem, em face disso, gostaria de pedir para as pessoas que eventualmente venham a ler essas minhas palavras que deixem algum comentário a respeito do assunto.
Gostaria muito de saber qual a opinião de cada um que se interessa pelo meio ambiente e que tenha algo a dizer sobre essa relação entre mídia-meio ambiente.
Quem souber de algum estudo sobre o que informei acima peço que entre em contato pois na infinidade de informações presentes na rede nem sempre se consegue identificar tudo o que nela existe de importante.
Os contatos podem ser feitos junto a esse blog ou diretamente por email advrso@gmail.com
Desde já, meu muito obrigado.
Rafael.
A análise dos teóricos das Relações Internacionais é bastante omissa quanto a essa participação da mídia no cenário internacional. Sequer admitem que a mídia seja um ator, novo ator ou sequer um ator emergente das Relações Internacionais.
Para o Direito Ambiental Internacional também não existem muitos estudos sobre como a mídia pode ser usada. O que existe são discussões sobre a forma como a mídia é usada por outros atores, em especial, as ONGS. Quanto a isso, realmente é interessante a análise pois, efetivamente, as ONGs sabem muito bem se utilizar nas novas tecnologias para se articularem politicamente em favor do meio ambiente.
A dúvida, todavia, é se realmente espaços virtuais como blogs e sites independentes podem apresentar argumentos críticos e novas informações que venham a propiciar algo de concreto em favor do meio ambiente.
Até que ponto a proliferação de informação e o amplo espaço existente na internet favorece um debate sério e verdadeiro?
No que tange ao aquecimento global, foco de um de meus estudos, tenho verificado a existência de diversos blogs e sites que trazem informações extremamente relevantes e confirma a tese de que o aquecimento global é algo a ser enfrentado de forma urgente e séria em nível global. Todavia, na mesma rede, é possível encontrar informações que rebatem os estudos até então apresentados e questionam a sua veracidade.
Bem, em face disso, gostaria de pedir para as pessoas que eventualmente venham a ler essas minhas palavras que deixem algum comentário a respeito do assunto.
Gostaria muito de saber qual a opinião de cada um que se interessa pelo meio ambiente e que tenha algo a dizer sobre essa relação entre mídia-meio ambiente.
Quem souber de algum estudo sobre o que informei acima peço que entre em contato pois na infinidade de informações presentes na rede nem sempre se consegue identificar tudo o que nela existe de importante.
Os contatos podem ser feitos junto a esse blog ou diretamente por email advrso@gmail.com
Desde já, meu muito obrigado.
Rafael.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Ataque à ciência do clima, artigo de Jeffrey D. Sachs
Nas semanas antes e depois da conferência sobre mudanças climáticas em Copenhague, em dezembro passado, a ciência das mudanças climáticas sofreu forte ataque de críticos que afirmam que os cientistas do clima suprimiram deliberadamente provas – e que a própria ciência é extremamente falha.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), grupo internacional de especialistas encarregado de avaliar o estado da ciência do clima, foi acusado de tendencioso.
A opinião pública mundial está desconcertada com esses ataques. Se não há acordo entre os especialistas sobre uma crise climática, por que governos gastam bilhões de dólares para atacá-la?
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), grupo internacional de especialistas encarregado de avaliar o estado da ciência do clima, foi acusado de tendencioso.
A opinião pública mundial está desconcertada com esses ataques. Se não há acordo entre os especialistas sobre uma crise climática, por que governos gastam bilhões de dólares para atacá-la?
sexta-feira, 12 de março de 2010
A cruzada para negar o aquecimento global
Por Ladislau Dowbor*
Não há dúvidas sobre o aquecimento global, nem sobre o peso das atividades humanas na sua geração. No entanto, depois de dois anos de uma gigantesca campanha de mídia, envolvendo também a criação de ONGs fajutas e de movimentos aparentemente grass-root, portanto “espontâneos e comunitários”, e sobretudo listagens de cientistas “céticos” visando dar impressão de “quantidade”, temos resultados, e para os grupos do petróleo, do carvão e semelhantes, terá valido a pena. Segundo a revista britânica The Economist, a proporção de americanos que achavam existir evidências sólidas de aumento das temperaturas globais caiu de 71% em abril de 2008 para 57% em outubro de 2009 (Carta Capital, 16/12/2009, página 48).
Não há dúvidas sobre o aquecimento global, nem sobre o peso das atividades humanas na sua geração. No entanto, depois de dois anos de uma gigantesca campanha de mídia, envolvendo também a criação de ONGs fajutas e de movimentos aparentemente grass-root, portanto “espontâneos e comunitários”, e sobretudo listagens de cientistas “céticos” visando dar impressão de “quantidade”, temos resultados, e para os grupos do petróleo, do carvão e semelhantes, terá valido a pena. Segundo a revista britânica The Economist, a proporção de americanos que achavam existir evidências sólidas de aumento das temperaturas globais caiu de 71% em abril de 2008 para 57% em outubro de 2009 (Carta Capital, 16/12/2009, página 48).
segunda-feira, 8 de março de 2010
Aquecimento global está chegando à Justiça
O aquecimento global chegou à Justiça. A Micronésia, uma federação formada por 600 ilhas no Pacífico, a nordeste da Austrália, questiona os planos de modernização de uma usina térmica a carvão na República Tcheca, a milhares de quilômetros dali. Alega prejuízos ao seu território provocados pelo aumento da emissão de gases-estufa na atmosfera. No Alasca, 420 moradores de um vilarejo erguido em uma faixa de terra que vem sendo destruída pelo mar tentam abrir um processo contra 20 gigantes do petróleo e do carvão. Especialistas em direito ambiental dizem que isso é apenas o começo.
sexta-feira, 5 de março de 2010
A sociedade mundial da cegueira
Especialização do conhecimento trouxe benefícios, mas nos faz ignorar outras dimensões e nos impede de ver a totalidade
Por Leonardo Boff*
O poeta Affonso Romano de Sant’Ana e o prêmio Nobel de literatura, o português José Saramago, fizeram da cegueira tema para críticas severas à sociedade atual, assentada sobre uma visão reducionista da realidade. Mostraram que há muitos presumidos videntes que são cegos e poucos cegos que são videntes.
Hoje propala-se pomposamente que vivemos sob a sociedade do conhecimento, uma espécie de nova era das luzes. Efetivamente assim é. Conhecemos cada vez mais sobre cada vez menos. O conhecimento especializado colonizou todas as áreas do saber. O saber de um ano é maior que todo saber acumulado dos últimos 40 mil anos. Se por um lado isso traz inegáveis benefícios, por outro, nos faz ignorantes sobre tantas dimensões, colocando-nos escamas sobre os olhos e assim impedindo-nos de ver a totalidade.
O que está em jogo hoje é a totalidade do destino humano e o futuro da biosfera. Objetivamente estamos pavimentando uma estrada que nos poderá conduzir ao abismo. Por que este fato brutal não está sendo visto pela maioria dos especialistas nem dos chefes de Estado nem da grande mídia que pretende projetar os cenários possíveis do futuro? Simplesmente porque, majoritariamente, se encontram enclausurados em seus saberes específicos nos quais são muito competentes mas que, por isso mesmo, se fazem cegos para os gritantes problemas globais.
Quais dos grandes centros de análise mundial dos anos 60 previram a mudança climática dos anos 90? Que analistas econômicos com prêmio Nobel anteviram a crise econômico-financeira que devastou os países centrais em 2008? Todos eram eminentes especialistas no seu campo limitado, mas idiotizados nas questões fundamentais. Geralmente é assim: só vemos o que entendemos. Como os especialistas entendem apenas a mínima parte que estudam, acabam vendo apenas esta mínima parte, ficando cegos para o todo. Mudar este tipo de saber cartesiano desmontaria hábitos científicos consagrados e toda uma visão de mundo.
É ilusória a independência dos territórios da física, da química, da biologia, da mecânica quântica e de outros. Todos os territórios e seus saberes são interdependentes, uma função do todo. Desta percepção nasceu a ciência do sistema Terra. Dela se derivou a teoria Gaia que não é tema da New Age; mas, resultado de minuciosa observação científica. Ela oferece a base para políticas globais de controle do aquecimento da Terra que, para sobreviver, tende a reduzir a biosfera e até o número dos organismos vivos, não excluídos os seres humanos.
Emblemática foi a COP-15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague. Como a maioria na nossa cultura é refém do vezo da atomização dos saberes, o que predominou nos discursos dos chefes de Estado eram interesses parciais: taxas de carbono, níveis de aquecimento, cotas de investimento e outros dados parciais. A questão central era outra: que destino queremos para a totalidade que é a nossa Casa Comum? Que podemos fazer coletivamente para garantir as condições necessárias para Gaia continuar habitável por nós e por outros seres vivos?
Esses são problemas globais que transcendem nosso paradigma de conhecimento especializado. A vida não cabe numa fórmula, nem o cuidado numa equação de cálculo. Para captar esse todo precisa-se de uma leitura sistêmica junto com a razão cordial e compassiva, pois é esta razão que nos move à ação.
Temos que desenvolver urgentemente a capacidade de somar, de interagir, de religar, de repensar, de refazer o que foi desfeito e de inovar. Esse desafio se dirige a todos os especialistas para que se convençam de que a parte sem o todo não é parte. Da articulação de todos estes cacos de saber, redesenharemos o painel global da realidade a ser compreendida, amada e cuidada. Essa totalidade é o conteúdo principal da consciência planetária, esta sim, a era da luz maior que nos liberta da cegueira que nos aflige.
*Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.
O poeta Affonso Romano de Sant’Ana e o prêmio Nobel de literatura, o português José Saramago, fizeram da cegueira tema para críticas severas à sociedade atual, assentada sobre uma visão reducionista da realidade. Mostraram que há muitos presumidos videntes que são cegos e poucos cegos que são videntes.
Hoje propala-se pomposamente que vivemos sob a sociedade do conhecimento, uma espécie de nova era das luzes. Efetivamente assim é. Conhecemos cada vez mais sobre cada vez menos. O conhecimento especializado colonizou todas as áreas do saber. O saber de um ano é maior que todo saber acumulado dos últimos 40 mil anos. Se por um lado isso traz inegáveis benefícios, por outro, nos faz ignorantes sobre tantas dimensões, colocando-nos escamas sobre os olhos e assim impedindo-nos de ver a totalidade.
O que está em jogo hoje é a totalidade do destino humano e o futuro da biosfera. Objetivamente estamos pavimentando uma estrada que nos poderá conduzir ao abismo. Por que este fato brutal não está sendo visto pela maioria dos especialistas nem dos chefes de Estado nem da grande mídia que pretende projetar os cenários possíveis do futuro? Simplesmente porque, majoritariamente, se encontram enclausurados em seus saberes específicos nos quais são muito competentes mas que, por isso mesmo, se fazem cegos para os gritantes problemas globais.
Quais dos grandes centros de análise mundial dos anos 60 previram a mudança climática dos anos 90? Que analistas econômicos com prêmio Nobel anteviram a crise econômico-financeira que devastou os países centrais em 2008? Todos eram eminentes especialistas no seu campo limitado, mas idiotizados nas questões fundamentais. Geralmente é assim: só vemos o que entendemos. Como os especialistas entendem apenas a mínima parte que estudam, acabam vendo apenas esta mínima parte, ficando cegos para o todo. Mudar este tipo de saber cartesiano desmontaria hábitos científicos consagrados e toda uma visão de mundo.
É ilusória a independência dos territórios da física, da química, da biologia, da mecânica quântica e de outros. Todos os territórios e seus saberes são interdependentes, uma função do todo. Desta percepção nasceu a ciência do sistema Terra. Dela se derivou a teoria Gaia que não é tema da New Age; mas, resultado de minuciosa observação científica. Ela oferece a base para políticas globais de controle do aquecimento da Terra que, para sobreviver, tende a reduzir a biosfera e até o número dos organismos vivos, não excluídos os seres humanos.
Emblemática foi a COP-15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague. Como a maioria na nossa cultura é refém do vezo da atomização dos saberes, o que predominou nos discursos dos chefes de Estado eram interesses parciais: taxas de carbono, níveis de aquecimento, cotas de investimento e outros dados parciais. A questão central era outra: que destino queremos para a totalidade que é a nossa Casa Comum? Que podemos fazer coletivamente para garantir as condições necessárias para Gaia continuar habitável por nós e por outros seres vivos?
Esses são problemas globais que transcendem nosso paradigma de conhecimento especializado. A vida não cabe numa fórmula, nem o cuidado numa equação de cálculo. Para captar esse todo precisa-se de uma leitura sistêmica junto com a razão cordial e compassiva, pois é esta razão que nos move à ação.
Temos que desenvolver urgentemente a capacidade de somar, de interagir, de religar, de repensar, de refazer o que foi desfeito e de inovar. Esse desafio se dirige a todos os especialistas para que se convençam de que a parte sem o todo não é parte. Da articulação de todos estes cacos de saber, redesenharemos o painel global da realidade a ser compreendida, amada e cuidada. Essa totalidade é o conteúdo principal da consciência planetária, esta sim, a era da luz maior que nos liberta da cegueira que nos aflige.
*Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Hora do Planeta é lançada oficialmente no Brasil
Hora do Planeta é lançada oficialmente no Brasil
Por RedaçãoRio de Janeiro (O Repórter) - O WWF-Brasil anunciou nesta quarta-feira(3),no Rio de Janeiro, o lançamento da Hora do Planeta 2010, movimento mundial de alerta contra o aquecimento global.
Em sua segunda edição no Brasil, o evento, conhecido globalmente como Earth Hour, ocorrerá em 27 de março, das 20h30 às 21h30, e terá o Rio de Janeiro como cidade-sede nacional.
Além do Cristo Redentor e da Praia de Copacabana, que tiveram suas luzes apagadas em 2009, a Prefeitura Rio do Janeiro também irá desligar os refletores do Arpoador e da Igreja Nossa Senhora da Penha, levando o evento para a Zona Norte da cidade.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Reunião da ONU propõe nova agência ambiental no estilo da OMC
Uma Organização Mundial do Meio Ambiente, semelhante à Organização Mundial do Comércio, poderia ser criada como parte de uma reforma da governança ambiental, decidiu na sexta-feira uma reunião da ONU com a presença de ministros do Meio Ambiente.
Ministros e representantes de mais de 135 países se reuniram em Nusa Dua, na ilha indonésia de Bali, esta semana para a reunião anual do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep). É o maior encontro de autoridades ambientais desde as negociações climáticas de Copenhague, em dezembro do ano passado.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Agropecuária vira vilã das emissões de gases no Brasil
O peso do setor agropecuário nas emissões de gases de efeito estufa do Brasil é muito mais relevante do que os dados oficiais mostram. Entre 1994 --ano do último inventário oficial de emissões brasileiras-- e 2005, o peso da agricultura e da pecuária aumentou 26,6%.
No mesmo período, a importância relativa do desmatamento, sempre considerado o grande vilão nacional quando o assunto é piora do efeito estufa, cresceu apenas 11%.
sábado, 17 de outubro de 2009
Maior obstáculo ao acordo sobre mudança climática pode ser como pagar por ele The New York Times
Polo Norte deve degelar já em 2019
Dentro de uma década, o polo Norte vai ser um grande oceano aberto --sem gelo-- durante o verão. A previsão científica, anunciada ontem, é do projeto Catlin Arctic Survey, liderado por Pen Hadow, tradicional explorador polar. O grupo analisou o comportamento do gelo ártico por três meses.
Os cientistas mediram várias características do gelo na parte norte do mar de Beaufort, ao redor do polo Norte. A maior parte do gelo da região tem ao redor de 1,8 metro de espessura. Por ser fino, tudo isso vai derreter no próximo verão, estimam os cientistas.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Sarkozy propõe lançar Organização Mundial do Meio Ambiente
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs no dia 23 de setembro de 2009 a criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente para legislar sobre o direito internacional do assunto, que seja tão respeitada como a do comércio.
Com a nova instituição, o presidente francês acredita que seja possível reagrupar as agências existentes. O órgão poderia entrar em operação em 2012, quando deve ser definida a realização da cúpula Rio20, que o Brasil propõe organizar.
Reuters
Sarkozy enfatizou durante a Conferência Internacional que "pela primeira vez na história da humanidade, o objetivo de uma negociação supera o destino de um país, de uma região ou de um continente, porque é preciso decidir o futuro de toda a Terra".
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